Translate

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Autoestrada para a alegria



Uma das maiores ilusões que vivemos é de que estamos sozinhos. Normalmente e quando nos sentimos mais cansados ou deprimidos esse é o sentimento de base, a solidão ou o medo da solidão. Como se estivéssemos isolados num quarto escuro. Essa é uma das grandes ilusões. Nenhum de nós está só. Mesmo que não haja uma alma gémea de momento para partilhar o sofá nas noites frias, todos nós fazemos parte de uma comunidade ou de várias sub-comunidades.

Por exemplo, a comunidade do ou dos locais onde trabalhamos, a nossa família, os diferentes grupos de amigos, a comunidade do local onde vamos beber um café ou mesmo a comunidade de pessoas com quem nos cruzamos todos os dias.

Hoje estou especialmente agradecida por todos estes grupos de pessoas que fazem parte da minha vida, é certo que há algumas mais significativas do que outras, mas poder ir passear a minha Shanti e dizer bom dia a todos aqueles que enfrentam o frio da manhã e com um sorriso enorme me respondem de volta, é uma sorte e acima de tudo uma benção.

Poder participar na vida da minha família e dizer-lhes o quanto os amo, poder-lhes dar um abraço e mais beijo só porque sim, é uma benção.

Poder pegar num telefone e dizer o quanto sinto saudades de conversas e presenças é uma benção.

E todos os dias temos esta oportunidade de ver a beleza em todos os que se cruzam connosco, de fazer diferente e fazer melhor, de nos preocuparmos com o outro e de ajudar a quem nos pede ajuda.

A gratidão é autoestrada certa para aquela alegria que queremos que nos preencha todos os dias.

E vermos o mundo com outros olhos é uma forma de conhecimento, plenitude e até há quem lhe chame iluminação!

Namasté
Love you  all

PS: E se mesmo assim precisarem de mais alguma coisa para vos relembrar vejam ou revejam o documentário HOME no link a seguir: http://www.youtube.com/watch?v=jqxENMKaeCU&wide=1

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Criar raizes ou Deixar ir



Perceber qual é o momento para se deixar de lutar, ou abandonar uma prática não é fácil. Será que é agora? Será que ainda tenho mais alguma coisa dentro de mim que me diz que tenho de dar mais? Como é que percebemos essa diferença?

Um exemplo prático, no início quando comecei a meditar havia dias que não me apetecia, que a minha mente punha obstáculos e arranjava todas as desculpas para não ter de mergulhar na ansiedade de parar e permanecer parada (entenda-se fisicamente). Mas sabia que sempre que ia fundo nessa ansiedade, conseguia emergir do outro lado tranquila e no meu centro. Aí se tivesse ouvido a minha mente dizer-me para não o fazer, ao ponto de me criar um mini aperto no coração, não tinha conseguido ultrapassar uma série de barreiras e camadas que eu desconhecia em mim. Neste caso, ainda bem que me contrariei.

Então e quando nos contrariamos para fazer algo que não queremos, porque "tem de ser"?

Acho que as perguntas que pode fazer-nos nestes casos são: "Isto é para o meu bem maior"?, "Há algum objectivo que eu queira atingir que seja para uma maior aprendizagem e consciência de mim"?, então força continuem e "lutem" por essa consciência e conhecimento. Levantem-se da cama quando não apetece, dêem mais aquele "bocadinho assim", e aposto que no final da vida quando olharmos para trás vai ter valido a pena. Afinal foi feito por amor! Se não for, tá na hora de deixar ir...

Namasté


terça-feira, 9 de outubro de 2012

SER LIVRE



Estuda, trabalha, casa-te, tem filhos, vê televisão, segue o que os outros dizem, obedece sem fazer perguntas, e depois repetimos todos juntos: EU SOU LIVRE!!!!

Desde pequenina que esta sequência infernal me assusta. Já até perdi alguns momentos e pessoas na vida por medo de que isto me acontecesse. Ficar igual aos outros, adormecida, em estado Zombie. Viva, mas só a metade. Fazer parte das regras e segui-las cegamente por causa do "deve de ser assim" ou do "tem de ser assim".

É um privilégio viver numa altura destas, quando tantos estão a acordar e ao contrário dos filmes de terror Série B  dos Mortos vivos, aqui, no mundo real, podemos passar a ser humanos e viver a vida de modo pleno.

Estudar - Estudem aquilo que vos dá prazer, não só porque tem um certificado ou porque dá um título qualquer

Trabalhar - Se passamos 8 horas do nosso dia a trabalhar (pelo menos) porque não fazer algo que gostamos, ou que nos faça sentido? Entreguem-se aquilo que fazem a 100% e tenham orgulho em fazê-lo bem feito

Casar (ou namorar, ou a versão imoral:o ajuntamento) - Claro que sim, mas que seja porque realmente o queremos, não para preencher vazios ou por convenção social. Que seja para viver o amor em cada dia (idealmente claro)

Ter Filhos: Se quiseres, se achares que esse é o teu caminho... Há tantas pessoas felizes e realizadas que não os têm... Se olhares para dentro e realmente o quiseres força, o mundo precisa da alegria e da inocência das crianças

Ver televisão: Há um mundo maravilhoso lá fora. Que tal um passeio de noite mesmo no inverno? O serão pode ser feito com leitura em família, com um passeio ao frio, numa noite a ver as estrelas... É mesmo preciso ficar em casa a ver televisão todas as noites?

Segue o que os outros dizem: Vive de acordo com a tua experiência. Questiona, experimenta, se não gostares não o voltes a fazer... Desde que vivamos com respeito por nós e pelos outros as possibilidades são praticamente infinitas.. Verdade e Respeito sempre.

Está na altura de cada um ser líder de si próprio, fazer as suas escolhas e viver as consequências dessas escolhas. Sejam elas mais ou menos agradáveis, mas está na altura de crescermos e sermos responsáveis por aquilo que fazemos.

No fim disto tudo, com consciência daquilo que fazemos, ao vivermos a vida de forma plena, aí sim somos LIVRES (e felizes)

Love you


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Criadores de sonhos


Somos todos criadores de sonhos.

As principais diferenças entre seres humanos (sem distinção de género) quando se trata de criar sonhos e ter intuições é que alguns acreditam tantos nelas que contra os pessimistas e "vai-se andando"s deste mundo, realizam e materializam aquilo que realmente querem.


Daí a importância de muitas vezes mantermos aquilo que queremos fazer para nós. Não é mentir, é protegermo-nos dos "vai-se andandos" e dos "isso não dá com a maneira como as coisas estão". É não deixarmos que o sonho ou a intuição que queremos realizar seja mandada abaixo quando ainda está nessa fase desmaterializada. Se quiserem realmente partilhar com aqueles que vos encorajam então façam-no, mas correndo sempre o risco de apanhar o outro num dia em que o alter ego pessimista é presidente. Aí só têm de ser fortes e acreditar naquilo que visionam para a vossa vida porque mais ninguém a pode viver por vocês.

Não alimentemos assim os dramas, as pequenezas, e as distorções da maravilha que somos, vivam a vossa vida e rodeiem-se de quem vos encoraja, assim mais facilmente também passam a viver a vida a encorajar os outros a serem a melhor versão deles. É pescadinha de rabo na boca e tem de começar em nós.

Ouçam a vossa intuição e sigam-na! Vivam o vosso sonho sempre

Há um Yoga Sutra que para mim se parece encaixar perfeitamente neste tema:

"maitryādiṣu balāni" -  Yoga Sutra 3.24
Pelo Samyama na amizade e qualidades que tais, é obtido o poder para as transmitir.

Rodeiem-se de amizade, amor e alegria na vossa vida, vivam nessas qualidades, materializem os vossos sonhos e transmitam-nas a quem não as vive, mas por favor, não se deixem arrastar pelos turbilhões alheios. Essa não é a nossa verdadeira natureza


Love you

PS: As minhas sinceras desculpas a todos aqueles a quem eu já matei sonhos com desculpas de realidade. É um processo esta coisa do viver. Vou tentar viver neste nível mais elevado sempre, mas se por acaso em alguma ocasião não o conseguir desculpem-me, prometo que volto a tentar sempre.



PSS:No Yoga Sutra de Patanjalisamyama é o conjunto formado por Dhárana (concentração), Dhyána (meditação), e Samádhi (iluminação ou hiperconsciência), sendo que cada estágio é o aprofundamento do anterior. ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Samyama

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Aceitar o Outono cá dentro

Épocas de transição nunca são fáceis e quando falamos de passar do Verão para o Outono ainda pior. É como se o Outono fosse a época aberta para a depressão. Pois bem meus amigos, se quiserem que assim seja, então assim será. 

Na nossa mente sempre associámos as Estações (ou pelo menos grande parte de nós) a emoções de alegria ou tristeza, a julgamentos de bom ou mau. No Verão podemos vir para fora, andar com pouca roupa, sem preocupações, são as férias, é a liberdade total. No Outono começam aparentemente as limitações no exterior, vem o frio, vem a chuva, mas também vem o cheiro a castanhas na rua, o conforto do cachecol, o voltar a casa. É altura de voltar a casa. 

Podemos entendê-lo só no sentido físico, mas acima de tudo o Outono é parte fundamental do ciclo de criação e destruição que acontece sempre, todos os anos e a cada respiração.
O Outono é mais uma oportunidade de aprofundar a meditação, olhar mais para dentro e colher os frutos daquilo que plantámos no inicio do ano. 

Se se sentirem com mais vontade de dormir, durmam, se o pico de energia já não estiver lá em cima desde as 7 da manhã... azar. Aceitemos as estações do ano como parte normal e maravilhosa do ciclo da nossa natureza e vamos celebrar esses ciclos. 

Vamos dar uma volta e ver as cores mais bonitas do ano, vamos aproveitar para beber o chá e ler o livro que não deu para ler na praia, vamos pisar folhas secas caídas das árvores e ouvir aquele som de Outono, vamos tirar os casacos de malha do armário e aproveitar cada momento, porque tudo passa rápido demais e aposto convosco que entretanto chega Agosto.

Namasté

PS: Esta foto foi tirada no Parque das Caldas a semana passada, se puderem vão lá porque as cores estão incriveis. Aproveitem para ouvir o pisar das folhas...