Durante muito tempo procurei alguma coisa. Sabia que faltava algo, só não sabia bem o quê. Isso dava-me uma inquietude, uma ansiedade e uma angústia que me parece que alguns de vocês também se podem identificar. Está lá um espaço vazio e fazemos experiências para o preencher com tudo o que encontramos. Uma insegurança latente.
E o que queremos é libertarmo-nos dessa insegurança. O problema está em procurarmos a segurança em coisas que por si só já são inseguras e efémeras, como pessoas ou experiências.
E podemos viver nisto a vida toda. Há quem consiga enterrar estes sentimentos tão lá no fundo que consegue viver o dia-a-dia como se nada fosse.
Pessoalmente, passei por essa fase, depois passei pela outra de mandar tudo ao ar. E que fase libertadora foi essa! Foi absolutamente necessário na minha vida e voltaria a fazer tudo na mesma. Tive de passar por isso para fazer as mudanças e construir a vida que realmente queria construir, mas nem isso era necessário, porque embora tenha melhorado o vazio, especialmente a nível profissional onde finalmente me senti realizada, talvez a liberdade da insegurança não fosse o mais importante. Até porque foi essa insegurança e insatisfação que me fizeram andar para a frente.
O Swami Dayananda fez-me entender o essencial, o que preenche esse vazio não são as mudanças consecutivas de factores externos, nem muito menos preencher os vazios com pessoas ou coisas e fazer uma vida perfeita cheia de corações e felicidade (embora também façam parte e ainda bem), o que eu quero é conhecimento. O que me traz paz é eu conhecer a realidade tal como ela é, é perceber como o mundo funciona, como a minha mente funciona e assim a cada dia trabalhar para Moksha a libertação, que acontece não como que por magia onde tudo passa a ser um conto de fadas, mas como se fosse uma limpeza da nebulosidade que nos impede de nos compreender a realidade daquilo que já somos.
Esse discernimento (Viveka) leva-nos a perceber o que é real do que é irreal, o que é permanente do que é impermanente e faz as coisas parecerem mais claras e menos difusas.
Meus amigos, que benção que é este banhinho de realidade.
Namasté


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