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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Yoga no tapete e fora

Manter uma prática de yoga diária não é fácil. Exige disciplina e muita determinação. Mas yoga não é só a prática de ásana (posturas fisicas) que fazemos no tapete dentro de uma sala compostinha ou ao ar livre num dia bonito. Aí é a parte fácil.

A prática de yoga extende-se a cada minuto da nossa vida. A não-violência, ou viver em verdade, ou manter a disciplina são valores a viver no dia-a-dia. E aí é que a coisa vai ficando mais dificil (pelo menos falo por mim).

Quanto mais purificamos o corpo e a mente através das nossas acções coerentes, mais clarificamos o caos mental do dia-a-dia. É como se uma neblina se fosse levantado e começamos a ver tudo com mais clareza.



Aí está a verdadeira beleza da prática. A paz chega porque existe esta coerência entre o que pensamos e a maneira como agimos e vivemos.

Assim, quando virem esta falta de coerência em vocês ou nos outros, em vez de julgar entendemos que a única pessoa prejudicada nisto é quem o faz. Assumimos essa responsabilidade e fazemos melhor para a próxima.

No tapete iniciamos a prática de Yoga, na vida temos o desafio extra que precisamos para consolidar essa prática.

Que tenhamos sempre este discernimento a cada momento da nossa vida.

Namasté

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Abandonar ou persistir?

Em situações de conflito não é fácil perceber se é hora de abandonar um projecto (e quem lhe chama projecto pode facilmente chamar-lhe relacionamento ou amizade).

Quando a cabeça está quente e existe um conflito há duas coisas que devemos considerar: o projecto em si e as pessoas que fazem parte dele. O que fazer: fugir porque já não conseguimos mais lidar com alguém com quem simplesmente não ligamos e que nos provoca sofrimento ou levar o "projecto" em frente porque este "detalhe" é menos importante que a causa em si?

Abandonar ou persistir?

Para os teimosos deste mundo, muitas vezes persistimos porque sim e porque não vamos dar o braço a torcer ou porque vamos ganhar este braço de ferro só para provarmos que somos mais fortes. Aí está o Ego! Esse "amigo" que nos tolda a visão e nos leva a tomarmos decisões cegas. Quanto a mim, sei que este "amigo" já me levou a muitos erros.

Abandonar só porque há um obstáculo, ou uma dificuldade também nos turva a visão de quem somos. Permitir que outros nos façam desistir de algo que amamos é uma péssima opção de vida, que nos vai auto-destruindo aos poucos.

Então como é que entendemos esta linha tão ténue entre aquilo que vale a pena levar em frente ou aquilo que está na hora de abandonar?

Primeiro, SLEEP ON IT. A almofada é uma boa conselheira, e irmos a correr fazer queixinhas aos outros acerca dos nossos obstáculos pode ser uma má opção. Em vez disso, digiram as emoções e as situações. Dormimos uma noite (ou duas ou mais) sobre o assunto e deixamos a poeira assentar de maneira a vermos mais claramente a situação.

Segundo, o que é que realmente interessa? Qual o meu objectivo no que estou a fazer? O que me interessa é o projecto em si? Vou permitir que este conflito me afaste deste objectivo? O que faço é de coração?

Terceiro, estamos ou lemos quem nos possa inspirar! Aqui só as palavras sábias do Swami Dayananda me salvaram. "Dar aos outros a liberdade de ser quem são", respeitar que  todos temos histórias diferentes e as decisões que os outros tomam são baseadas nas suas experiências e nós devemos aos outros essa aceitação e esse entendimento. (Até podemos repetir em forma de meditação, eu dou-te a liberdade de seres quem és).  

Avançamos porque o coração é maior que os obstáculos. Abandonamos se o Ego for a razão para avançar.

Quanto às situações de conflito e de perder a cabeça, perdoamo-nos por não nos termos lembrado de dar essa liberdade ao outro. Still working on it!

Namasté

Love you

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Volto a insistir: Ahimsa

Voltemos ao básico Ahimsa. Não violência

Não violência no que dizemos, no que fazemos.

Tanta coisa não aconteceria se ahimsa fosse o principio básico de todos. 
Como se podem dizer religiosos se ferem, batem ou matam? 
Incrivel como o espirito de grupo tolda as ideias de todos e passam a deixar de pensar por si.

Provavelmente já todos ouvimos que violência gera violência, alguém tem de acabar este ciclo.

A única sugestão possivel é que cada um de nós termine com esse ciclo. Este é o único caminho para que cada um encontre a sua própria paz.

Voltemos sempre ao básico e a cada momento pratiquemos ahimsa. 


Bom fim de semana

PS: Embora já tenhamos falado sobre este tema, nada me parece tão actual como Ahimsa.


terça-feira, 25 de junho de 2013

Aliens vs nós próprios

O que é que mudou?

Há momentos em que temos pequenos aliens a crescer cá dentro. Como qualquer boa invasão alienígena a raiva chega e toma conta de tudo. Deixamos de raciocinar e cegamos. Dizemos o que não devemos e muitas vezes até o que não queremos.

"Fogo, logo agora que achava que isto já estava resolvido". Depois vem a culpa (pelo menos em mim vem). Vêm as questões: "Agora que sou mais velha e sábia isto não deveria de ter já passado?" ou "Mas com tanto auto-estudo e meditação o alien não deveria ter ido azucrinar para outro lado?"

Parece que não, parece que faz e vai sempre fazer parte da nossa condição de seres humanos. Na realidade o que todos queremos é ser felizes, e libertarmo-nos de qualquer forma de sofrimento. Mas com tanta gente diferente neste mundo as felicidades de uns e outros podem chocar e causar sofrimento. Só isso. Um entendimento simples e que pelo menos envia a minha "criatura" para o seu lugar: bem longe daqui. Pode ser que funcione para mais alguém

O que é que mudou?

O entendimento deste processo, passamos a entender e a lidar com "aquilo" mais rápido. Vamos aprendendo a não guardar, não fugir daquilo que tem de ser enfrentado (entenda-se nós próprios) e fazer com que estes sentimentos se transformem em compreensão e a paz volte a reinar cá dentro.


Love you

Mafalda

terça-feira, 16 de abril de 2013

Único e incomparável



Quem pratica yoga sabe que houve sempre uma vez (ou se calhar todas) onde tivemos tendência a olhar para o tapete do lado e ficarmos ou maravilhados ou estarrecidos com o vizinho do lado. Ou é muito melhor que nós ou não consegue fazer o que nós acabámos de fazer. Disto é que o Ego gosta. As comparações ajudam praticamente nada à nossa vida.




Primeiro, o corpo de um não tem nada a haver com o corpo de outro. Factores como a idade, a genética, o género, a força ou a flexibilidade fazem de nós seres humanos diferentes e essa diferença é para ser celebrada.

Segundo, a prática de yoga não é um exercício físico para chegar com as mãos a lado nenhum, é sim uma maneira de mantermos o corpo saudável (caso nunca tenham reparado as lesões não ajudam o corpo a ficar mais saudável, embora possam ajudar como aprendizagem futura), a mente focada e serve acima de tudo como laboratório de experiências para o nosso dia a dia.

Terceiro, a prática é para nos observarmos, tal como a nossa vida é para sermos nós a viver.

Passarmos a vida em comparações absurdas só nos vai fazer distrair e afastar daquilo que é o nosso caminho. Não somos mais, nem menos do que ninguém, somos todos diferentes nos gostos, nas aversões, e cada um de nós é único e incomparável. 

Único e incomparável.


Namasté

Mafalda Sousa