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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Julgamentos e afins



Este fim de semana fui fazer um workshop com uma daquelas professoras rock star. Estava em modo excitamento por poder aprender algumas posturas mais "avançadas" e por levar um banhinho de ar fresco na cabeça.


E lá cheguei eu, bem antes da hora e coloquei o tapete na sala no sitio que me parecia perfeito e sentei-me. E olhei à minha volta... E comecei a passar-me... Todos os que iam chegando tinham as calças de última geração e nada baratas do yoga (lululemons e afins), berrinhos histéricos de contentamento e começo a ver a minha vida a andar para trás.

O alien começa a tomar conta e lá estou eu a coçar a cara, irritada comigo por estar naquele lugar onde a marca das calças era rainha e os Egos corriam soltos e livres em vez dos valores que eu tanto ando a tentar praticar...


E pronto! Aquela Mafalda que eu gosto pouco estava completamente à solta (faz-me sempre lembrar os filmes sobre os liceus americanos, com o pessoal cool e os nerds)...
A insatisfação a aumentar, a irritação a subir à cabeça, e a pergunta do costume, o que é que eu estou a fazer aqui? Isto já não tem nada a ver comigo... Aguentar um dia inteiro disto?



E a vozinha lá atrás começou, primeiro quase que não a ouvia, depois não a queria ouvir porque o Ego estava a tomar conta e depois finalmente escolhi ouvir: estás aqui porque uma parte de ti é assim... Estás aqui porque tens alguma coisa a aprender aqui... Estás aqui porque é o sítio certo e a altura certa para estar!

E pronto: o Alien foi à vida dele, desisti de julgar os outros e a maneira como praticam Yoga, virei-me para dentro e foi um dia maravilhoso onde mais uma vez aprendi e estive presente

Melhor é impossivel

Ultrapassamos o julgamento, ultrapassamos o ego, aceitamos as condições actuais e o céu limpa e estamos simplesmente lá

Ouvi dizer que é sempre a aprender! E não é que têm razão?


Love you

Mafalda

PS: Posturas "avançadas" não são aquelas bonitas para as fotos. Basta estarmos de pé com consciência da nossa verdadeira natureza.. Bem mais "avançado" que um Eka Pada Galavasana

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Yoga no tapete e fora

Manter uma prática de yoga diária não é fácil. Exige disciplina e muita determinação. Mas yoga não é só a prática de ásana (posturas fisicas) que fazemos no tapete dentro de uma sala compostinha ou ao ar livre num dia bonito. Aí é a parte fácil.

A prática de yoga extende-se a cada minuto da nossa vida. A não-violência, ou viver em verdade, ou manter a disciplina são valores a viver no dia-a-dia. E aí é que a coisa vai ficando mais dificil (pelo menos falo por mim).

Quanto mais purificamos o corpo e a mente através das nossas acções coerentes, mais clarificamos o caos mental do dia-a-dia. É como se uma neblina se fosse levantado e começamos a ver tudo com mais clareza.



Aí está a verdadeira beleza da prática. A paz chega porque existe esta coerência entre o que pensamos e a maneira como agimos e vivemos.

Assim, quando virem esta falta de coerência em vocês ou nos outros, em vez de julgar entendemos que a única pessoa prejudicada nisto é quem o faz. Assumimos essa responsabilidade e fazemos melhor para a próxima.

No tapete iniciamos a prática de Yoga, na vida temos o desafio extra que precisamos para consolidar essa prática.

Que tenhamos sempre este discernimento a cada momento da nossa vida.

Namasté

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Abandonar ou persistir?

Em situações de conflito não é fácil perceber se é hora de abandonar um projecto (e quem lhe chama projecto pode facilmente chamar-lhe relacionamento ou amizade).

Quando a cabeça está quente e existe um conflito há duas coisas que devemos considerar: o projecto em si e as pessoas que fazem parte dele. O que fazer: fugir porque já não conseguimos mais lidar com alguém com quem simplesmente não ligamos e que nos provoca sofrimento ou levar o "projecto" em frente porque este "detalhe" é menos importante que a causa em si?

Abandonar ou persistir?

Para os teimosos deste mundo, muitas vezes persistimos porque sim e porque não vamos dar o braço a torcer ou porque vamos ganhar este braço de ferro só para provarmos que somos mais fortes. Aí está o Ego! Esse "amigo" que nos tolda a visão e nos leva a tomarmos decisões cegas. Quanto a mim, sei que este "amigo" já me levou a muitos erros.

Abandonar só porque há um obstáculo, ou uma dificuldade também nos turva a visão de quem somos. Permitir que outros nos façam desistir de algo que amamos é uma péssima opção de vida, que nos vai auto-destruindo aos poucos.

Então como é que entendemos esta linha tão ténue entre aquilo que vale a pena levar em frente ou aquilo que está na hora de abandonar?

Primeiro, SLEEP ON IT. A almofada é uma boa conselheira, e irmos a correr fazer queixinhas aos outros acerca dos nossos obstáculos pode ser uma má opção. Em vez disso, digiram as emoções e as situações. Dormimos uma noite (ou duas ou mais) sobre o assunto e deixamos a poeira assentar de maneira a vermos mais claramente a situação.

Segundo, o que é que realmente interessa? Qual o meu objectivo no que estou a fazer? O que me interessa é o projecto em si? Vou permitir que este conflito me afaste deste objectivo? O que faço é de coração?

Terceiro, estamos ou lemos quem nos possa inspirar! Aqui só as palavras sábias do Swami Dayananda me salvaram. "Dar aos outros a liberdade de ser quem são", respeitar que  todos temos histórias diferentes e as decisões que os outros tomam são baseadas nas suas experiências e nós devemos aos outros essa aceitação e esse entendimento. (Até podemos repetir em forma de meditação, eu dou-te a liberdade de seres quem és).  

Avançamos porque o coração é maior que os obstáculos. Abandonamos se o Ego for a razão para avançar.

Quanto às situações de conflito e de perder a cabeça, perdoamo-nos por não nos termos lembrado de dar essa liberdade ao outro. Still working on it!

Namasté

Love you

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Volto a insistir: Ahimsa

Voltemos ao básico Ahimsa. Não violência

Não violência no que dizemos, no que fazemos.

Tanta coisa não aconteceria se ahimsa fosse o principio básico de todos. 
Como se podem dizer religiosos se ferem, batem ou matam? 
Incrivel como o espirito de grupo tolda as ideias de todos e passam a deixar de pensar por si.

Provavelmente já todos ouvimos que violência gera violência, alguém tem de acabar este ciclo.

A única sugestão possivel é que cada um de nós termine com esse ciclo. Este é o único caminho para que cada um encontre a sua própria paz.

Voltemos sempre ao básico e a cada momento pratiquemos ahimsa. 


Bom fim de semana

PS: Embora já tenhamos falado sobre este tema, nada me parece tão actual como Ahimsa.


terça-feira, 25 de junho de 2013

Aliens vs nós próprios

O que é que mudou?

Há momentos em que temos pequenos aliens a crescer cá dentro. Como qualquer boa invasão alienígena a raiva chega e toma conta de tudo. Deixamos de raciocinar e cegamos. Dizemos o que não devemos e muitas vezes até o que não queremos.

"Fogo, logo agora que achava que isto já estava resolvido". Depois vem a culpa (pelo menos em mim vem). Vêm as questões: "Agora que sou mais velha e sábia isto não deveria de ter já passado?" ou "Mas com tanto auto-estudo e meditação o alien não deveria ter ido azucrinar para outro lado?"

Parece que não, parece que faz e vai sempre fazer parte da nossa condição de seres humanos. Na realidade o que todos queremos é ser felizes, e libertarmo-nos de qualquer forma de sofrimento. Mas com tanta gente diferente neste mundo as felicidades de uns e outros podem chocar e causar sofrimento. Só isso. Um entendimento simples e que pelo menos envia a minha "criatura" para o seu lugar: bem longe daqui. Pode ser que funcione para mais alguém

O que é que mudou?

O entendimento deste processo, passamos a entender e a lidar com "aquilo" mais rápido. Vamos aprendendo a não guardar, não fugir daquilo que tem de ser enfrentado (entenda-se nós próprios) e fazer com que estes sentimentos se transformem em compreensão e a paz volte a reinar cá dentro.


Love you

Mafalda