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segunda-feira, 21 de abril de 2014

A religião e o Yoga

Antes de mais espero que tenham tido uma boa Páscoa. A Páscoa é uma altura de renovação e transformação e pessoalmente um dia em fámilia que  adoro.

Ao longo dos anos, vários alunos me perguntaram se a prática de yoga interferia com as suas práticas religiosas. Há uma crença associada ao Yoga como sendo obrigatoriamente Hindu ou Budista.(Ai se me ouvem a dizer que pode ser budista posso ter problemas (ou uns sobrolhos franzidos)).

Muito se discute acerca da origem do yoga, de quando na realidade começou, se é simplesmente apoiada nos Vedas (textos onde estão descritos alguns dos rituais praticados pelos Hindus e não só), ou se começou há 500 ou 100 anos com o Sri Krishnamacharya.

Grande parte das posturas de yoga que conhecemos hoje, são bastante recentes, mas como já sabemos Yoga é muito mais que Ásana (posturas).

Voltando ao tema da religião, a prática de yoga não tem de ter nada a ver com religião, logo há um total respeito pelos rituais e crenças de cada um.

Conheço professores de Yoga Muçulmanos, Cristãos, Hindus que entendem que o Yoga não é uma religião. Quanto muito é uma forma de nos aproximar de Deus, ou do Universo, ou de Alá, ou da nossa verdadeira natureza. O importante é respeitar a crença de cada um. O importante é levar esse respeito para o dia-a-dia, independentemente dos rituais que em acreditamos.

Tenho uma avó muito católica e que tenta trazer essa atitude para as interacções com os outros. Reza o terço diariamente, que é uma forma de focar a mente através da repetição e reza pelo melhor para os que estão próximos e para todo o mundo (a mim cheira-me a sankalpa, uma intenção perfeitamente altruísta). Para mim, alguém com aquela disciplina, um coração tão bom, uma mente aberta e que tenta melhorar-se a cada dia é uma verdadeira yogi.

A religião é uma liberdade de cada um e o Yoga ajuda-nos a perceber isso. Até se formos ateus


Love you

We are all one


terça-feira, 25 de março de 2014

Tapas, a arte de ser disciplinado



Nem tudo o que ouvimos dos "New Ageys" bate certo. Embora a expressão "segue o teu coração" soe bem, pode-nos facilmente levar pelo caminho da dispersão contínua. Não se ofendam com isto, porque seguir o coração pode ser facilmente usado como desculpa para fugir a uma série de situações que devemos enfrentar, e cabe-nos a nós e ao nosso bom senso determinar esse limite entre o que é disciplina e o que é fugir de uma situação.




Tapas é uma das palavras mais facilmente mal interpretadas. Não, não é daqueles aperitivos que se comem em Espanha, mas sim o processo de "criar calor ou queimar" (pelo menos na tradição Yóguica). Cada vez que esse processo acontece mais impurezas são removidas.



 Mas como é que este processo pode acontecer na mente? Se a mente anda sempre à procura do prazer, iremos sempre fugir ao processo que nos leva a enfrentar as situações menos agradáveis. Assim, é necessária a disciplina. 

Para muitos de nós a palavra disciplina é por si só assustadora, mas é fundamental se queremos manter um plano ou seguir um objectivo. 

A mente é de uma inconstância incrivel, experimentem observá-la durante 1 minuto. Começa a pensar na lista de compras, passa pela difculdade de arranjar um lugar de estacionamento no supermercado, e quando damos por ela já não quer lá ir e prefere mandar vir uma pizza, pizza essa que era mesmo boa em Itália... E o Berlusconi? 

Melhor que um Ferrari, passamos da lista de compras à política em 0,5 seg. Uma mente disciplinada, embora de inicio nos possa dar algum trabalho para domar, facilmente se torna calma e limpida e aí o Caos amaina.

Se entendemos que para perder uns quilinhos temos de fazer uma corrida, então porque é que não entendemos que a mente precisa do mesmo trabalho?

A disciplina é uma ajuda no processo da evolução espiritual, mas tortura não vale. Mantemos o objectivo em mente, mas sempre em ahimsa (não violência). Porque afinal violência connosco é um dos maiores obstáculos a ultrapassar.

Definimos um objectivo que seja razoável e seguimo-lo. Simples! E se a preguiça falar mais alto disfarçada de segue o teu coração, não a oiçam. Mantenham a mente tranquila e sigam com o vosso plano.

O meu vai ser estudar o Capitulo 3 da Guita até ao final do próximo dia 22 de Abril! Definam o vosso e sigam-no!!!

"Tapah Svaadhyaayesshvara pranidhaanaani Kriyaa Yogah", aceitar alguma dor como ajuda para a purificação, o estudo de livros espirituais e a rendição à verdade suprema constituem o Yoga na sua prática.

Set your intention and DO IT.

Love you

PS: vejam este artigo do blog Inesperado. Muito interessante!
http://inesperado.org/2014/03/11/minha-querida-disciplina/

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Alimentar o que é importante



A Bhagavad Gita fala-nos dos valores a alimentar na nossa vida como a verdade, a não violência, o desapego dos objectos dos sentidos ou a busca constante do conhecimento. Estes são alguns dos vinte valores universais. e até aqui está tudo certo, lemos estas palavras e fazem todo o sentido, e com o modo "Miss Mundo" ligado, entendemos que se todos os seguíssemos, o mundo era bem melhor e acabavam as guerras e tal.

Mas tal como no concurso das belezas mundiais, isto tudo é utópico até decidirmos pôr mãos à obra. E aqui não há como dar a volta ao texto, pomos nós em prática o melhor que sabemos e desligamos do que os outros fazem. Só assim podemos realmente mudar alguma coisa.

Imaginem que andam a trabalhar num maior despego dos objectos... E o que vão fazer ao fim de semana? Passear ao colombo para ver as montras e para a feira automóvel da FIL.

Alimentamos a mente e colocamo-nos em situações onde vamos fazer o oposto do valor que queremos alimentar. Com isto não quero dizer para banirem as Feiras Automóveis! Nada disso, cada coisa no seu lugar, mas se eu sei que tenho alguma tendência para me apegar a coisas, talvez possa pensar na história da semente: antes de se tornar numa árvore forte precisa sempre de cuidado e protecção. Só isso.

Quando sentirem que aquilo já não faz mossa, então força: passar domingos à tarde a ver ferraris...  Mas talvez aí esse assunto já não vos interesse!

Digamos que pudessem ter alguma tendência a dramas e vitimização... Se calhar contar com todos os promenores a discussão de ontem à noite, a todas as amigas e amigos, pode não ser boa ideia! Afinal cada vez que a contamos alimentamos esse lado que não queremos alimentar.

Se há alguém que não gostam e de quem querem distância, façam-no realmente... Não vale a pena indagar como quem não quer a coisa ou espreitar o facebook para saber o que anda a fazer! Poupem-se e alimentem aquilo que realmente interessa

Love you

PS: Não tenho nenhuma moralidade superior, nem sei as respostas... E dá trabalho, é uma luta diária para alimentar aquilo que realmente é importante e não cair nas armadilhas de sempre.. Até moksha continuamos na tentativa e erro!!!
Só espero que consiga continuar a alimentar o discernimento para perceber o que é real e o que não é

PSS: 5000 views do blog!!! Espectacular... lá se vai a equanimidade

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

a mania da perseguição..

Chamem-lhe insegurança, ou mania da perseguição, mas já perdi a conta às vezes em que gastei as minhas calorias mentais e pensar no que tinha feito ou deixado de fazer para alguém ter tido esta ou aquela atitude comigo.

Vamos lá pôr as coisas em pratos limpos e ser objectivos: o facto de alguém responder de maneira mais seca ou rápida pode não ter absolutamente nada a ver connosco. Imaginem a situação:
Vamos todos beber um café e a Maria (personagem fictícia prometo), começa a fazer cara feia para o João (outro nome para o ar) e até lhe responde qualquer coisa do género:

Maria- "Não preciso que me ajudes a comer este cheesecake de frutos silvestre"
João (em pensamento)- só pode estar muito chateada comigo, devo ter feito alguma coisa para ela não partilhar
Maria (em pensamento)- estou cheia de fome, LARGA o meu cheesecake

Resultado, o João não tinha feito absolutamente nada e a Maria só estava mesmo com fome, uma reacção básica a um instinto básico.

Tal como a fome, temos reacções básicas como o medo, que nada têm a ver com a pessoa a quem respondemos.

Há coisas que na realidade não são problema nosso. O João não precisa de ir para casa gastar o resto do  dia e das calorias mentais a rever vezes sem conta o que fez à Maria. JOÃO SÊ OBJECTIVO.. 


Se calhar não é problema teu... Ou se calhar podes perguntar à Maria se se passa alguma coisa, mas se no fim do dia e sabendo que não houve intenção de magoar a pessoa, ela reage dessa maneira, indaga e deixa ir... Não és responsável pela resolução dos problemas do mundo... Afinal a Maria só tinha fome e não era mesmo problema teu 

Love you

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

O meu salva mentes...

Houve alguns momentos de viragem na minha vida. Um deles foi quando o caos mental era tão grande que a única coisa que pedia e por que rezava era Paz.

E a solução veio, a prática de yoga começou a transformar lentamente a maneira como me via e a permitir-me acalmar a mente.
O segundo momento foi o vedanta, um meio de conhecimento que me permite lidar com o mundo de maneira completamente diferente. E mais, permite-me usar a cabecinha para compreender, porque afinal a minha está aqui, é meia hiperactiva e de vez em quando arranja sarna para se coçar.

Assim o meu primeiro salvo mentes (momento Mitch Buchannon) foi o yoga,e sim tive de ir ao Google ver como se escrevia o nome desta mítica personagem, que tem umas pérolas de sabedoria impagáveis como por exemplo: " Gail and I spent our honey moon in Hawaii. Every time I see a volcano erupt, I think of her." (Eu e a Gail passámos a nossa lua de mel no Hawaii, Sempre que vejo a erupção de um vulcão penso nela). Mas sobre objectividade e subjectividade falamos noutro post.

Obrigada a todos os professores de yoga e vedanta que me ajudaram e continuam a ajudar a ver e acima de tudo a conhecer a minha natureza. Sem vocês a escuridão era bem maior

Love you


PS: Era demais resistir a pôr esta foto do Mitch
PSS: Não se ofendam por ter Baywatch e Yoga ou vedanta no mesmo post, afinal parece-me uma óptima série para nos mostrar o que é a ilusão de quem somos...