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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Aqui e agora

Já falámos algumas vezes aqui de Moksha, em linhas muito gerais: a libertação das ilusões de que somos limitados.

Passamos a maior parte do tempo em modo limitação, ou porque o corpinho tem um pneu mais desenvolvido, ou porque achamos que somos aquilo que pensamos ou até as emoções que passamos.

E para Moksha eu estudo, eu tento, eu vou trabalhando às vezes mais outras um bocadinho menos.

A vida acontece a cada momento aqui e agora, a escolha de como a havemos de viver é nossa.

Tenho tanta pena dos momentos em que achamos que sabemos e que controlamos tudo.

 Tanta coisa que perdemos por acharmos que sabemos mais, ou temos mais, ou pior, que está tudo sob controlo.



Nada sob o nosso controlo, mas tudo na ordem!

PS: Para saberem mais sobre Moksha, aconselho a procurarem um professor de Vedanta, mas por favor um que seja minimamente esclarecido senão a confusão só vai maior. Conheço alguns que vos posso orientar para eles. Basta pedir!


sábado, 3 de janeiro de 2015

De boas intenções está o Inferno cheio


Estas alturas de mudança de ano, servem sempre como balanço e redireccionamento, porque afinal às vezes vamos desviando uns graus do objectivo. De início sabemos tão bem,  depois vamos perdendo o ímpeto e a garra de os seguir. O modo "zombie" (de que já falei aqui algumas vezes) instala-se e de repente ver aquela série ou programa fica mais importante do que a verdadeira direcção que queremos dar à nossa vida.


Em sânscrito a palavra é Sankalpa: संकल्प. Um sankalpa é só uma intenção, uma direcção para onde queremos ir. 

Atenção que formular um Sankalpa é pouco e não vale ficar tipo "O Segredo" (lembram-se deste best-seller?) que dizia que só o poder da mente chegava para termos tudo aquilo que precisamos. Então os bracinhos e as perninhas servem para quê?

Começa-se por uma intenção, pensamos nos passos necessários a dar e vamos tentar fazê-los. O Sankalpa é o inicio, o resto vem da nossa força de vontade e de uma série de outras condições que podem ou não acontecer nesse momento e que nós não controlamos.

Dou já um exemplo. A Maria e o João (Os nomes clássicos portanto) estão cheios de vontade de ir fazer uma viagem. Eles nem se conhecem e estão cada um no seu computador a sonhar pelos sites de compra de viagens. A Maria quer ir para as Bahamas, o João quer ir ao México. Nenhum deles o pode fazer neste momento, mas enquanto a Maria vai tentando poupar ou arranjar uns trocos extra, o João rapidamente desliga e vai ver a telenovela. Quem é que tem mais probabilidades de se safar? 


Aqui vão os passos para concretizar mais em 2015:

1- Sankalpa, perceber onde queremos ir, qual a direcção a seguir
2- Perceber quais os passos práticos que são necessários tomar 
3- Dar esses passos cheios de determinação


O resultado destas acções poderá ou não trazer aquilo que querem à vossa vida, porque há toda uma série de factores (que fazem parte da ordem natural das coisas) que podem ou não acontecer. O importante não é falhar ou conseguir, o importante é tentar e dar todos os passos para conseguir. Ou podemos nem tentar e continuar a ver o telejornal ou a telenovela...

A minha sugestão é começar com um simples, comece agora. Pense no que quer realizar ou que aconteça, pense no que precisa de fazer para que isso aconteça, depois é só fazer... O pior que pode acontecer é não acontecer nada, mas isso já está garantido desde o inicio.

Happy New Year


PS: Uma das minhas intenções para 2015 é escrever mais no blog. Estou a dar passos nessa direcção!!!!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

A experiência das palavras bonitas

Tenho a sorte de poder ensinar aulas de yoga também a crianças. Eles têm à volta dos 8 anos e são crianças incriveis. Bem dispostos, interessados, sempre prontos a partilhar os seus desafios e a ajudarem-se uns aos outros. Uma verdadeira inspiração.

Este ano decidimos fazer uma experiência em conjunto. Entender o efeito das palavras de amor vs as de ódio ou indiferença.

Preparámos dois frascos com arroz cozido e água.

Num dos frascos escolhemos palavras e frases bonitas para escrever e dizer ao arroz. No outro frasco decidimos escrever palavras feias ou simplesmente ignorá-lo.

O frasco do amor tinha frases como:

- Ficas bem com feijão
- És lindo
- Adoro-te

O frasco do ódio tinha frases como:

- Odeio-te
- Cheiras mal


Todas as semanas em conjunto fomos repetindo as frases e dando a nossa atenção ao frasco do amor, enquanto o outro foi repetidamente ignorado. Nos dias que os meninos não estavam, todos os que passavam na casa da árvore foram convidados a fazer o mesmo, tarefa que foi cumprida diariamente.



Aqui estão as observações dos meninos:

- O frasco do amor cheira menos mal que o do ódio (acreditem que passados 3 meses cheiravam os dois mal, mas realmente o do ódio nem dava para estar perto)
- O frasco do amor estava com os bagos mais inteiros, embora o outro quase não fosse pegado nem tocado.
- O frasco do amor tinha menos bolor

Agora, ainda acreditam que as palavras que dizem não têm efeito no desenvolvimento das pessoas, ou plantas, ou até mesmo na comida à vossa volta?


Namasté

https://www.facebook.com/yogaMafaldasousa

https://www.facebook.com/acasadaarvore


terça-feira, 6 de maio de 2014

A matemática de ver o copo meio cheio

Tenho-me debatido bastante com este tema. Escolher ver o copo meio cheio porquê? Se muitas vezes o resultado não é aquilo que queremos e muitas vezes até nem o merecemos?

Acredito que há uma variável importante na determinação do resultado que é a intenção com que fazemos as coisas, mas neste caso, vamos ser todos bem racionais e definir que o resultado não é definido pela nossa intenção.

Assim temos qualquer coisa do género:

Vamos lá então ser racionais e usar a cabecinha:

Assumindo que não temos qualquer controlo sobre o resultado se virmos o lado positivo temos 75% de hipóteses de momentos positivos na situação.

Se formos mais negativistas então temos a mesma probabilidade de momentos negativos 75%.

Não quero dizer com isto que vamos agora viver para o mundo dos corações e dos arco-iris e retirarmos a realidade à coisa. Mas escolher ver o lado positivo traz sem dúvidas mais vantagens para o nosso bem estar. Essa escolha treina-se todos os dias, mesmo quando parece que ela não existe.

Há situações limite em que a escolha é quase impossivel de se fazer, devido à nossa experiência de vida, contexto social, etc, mas nas coisas pequenas do dia a dia escolher ver o copo meio cheio é a escolha inteligente a fazer. Não é a única, nem uma é mais certa do que a outra, mas analisando o quadro novamente escolho a primeira sempre que conseguir fazê-lo.


E agora imaginem que o resultado depende da maneira como encaramos o desafio...


segunda-feira, 21 de abril de 2014

A religião e o Yoga

Antes de mais espero que tenham tido uma boa Páscoa. A Páscoa é uma altura de renovação e transformação e pessoalmente um dia em fámilia que  adoro.

Ao longo dos anos, vários alunos me perguntaram se a prática de yoga interferia com as suas práticas religiosas. Há uma crença associada ao Yoga como sendo obrigatoriamente Hindu ou Budista.(Ai se me ouvem a dizer que pode ser budista posso ter problemas (ou uns sobrolhos franzidos)).

Muito se discute acerca da origem do yoga, de quando na realidade começou, se é simplesmente apoiada nos Vedas (textos onde estão descritos alguns dos rituais praticados pelos Hindus e não só), ou se começou há 500 ou 100 anos com o Sri Krishnamacharya.

Grande parte das posturas de yoga que conhecemos hoje, são bastante recentes, mas como já sabemos Yoga é muito mais que Ásana (posturas).

Voltando ao tema da religião, a prática de yoga não tem de ter nada a ver com religião, logo há um total respeito pelos rituais e crenças de cada um.

Conheço professores de Yoga Muçulmanos, Cristãos, Hindus que entendem que o Yoga não é uma religião. Quanto muito é uma forma de nos aproximar de Deus, ou do Universo, ou de Alá, ou da nossa verdadeira natureza. O importante é respeitar a crença de cada um. O importante é levar esse respeito para o dia-a-dia, independentemente dos rituais que em acreditamos.

Tenho uma avó muito católica e que tenta trazer essa atitude para as interacções com os outros. Reza o terço diariamente, que é uma forma de focar a mente através da repetição e reza pelo melhor para os que estão próximos e para todo o mundo (a mim cheira-me a sankalpa, uma intenção perfeitamente altruísta). Para mim, alguém com aquela disciplina, um coração tão bom, uma mente aberta e que tenta melhorar-se a cada dia é uma verdadeira yogi.

A religião é uma liberdade de cada um e o Yoga ajuda-nos a perceber isso. Até se formos ateus


Love you

We are all one